Compreendendo a adolescência: como atuar neste mercado promissor

A puberdade marca a etapa de transição fisiológica da infância para a vida adulta, onde transformações hormonais e morfológicas ocorrem. Devido à complexidade deste período é importante que ele seja estudado e considerado como um conjunto biopsicossocial de adaptação e maturação. A adolescência é um período de descobertas, no qual o indivíduo tenta encontrar seu lugar no mundo, momento em que ele busca grupos afins, se identifica com modelos influenciadores e segue pessoas que têm gostos e vontades similares. Essa influência externa é tanto relacionada com amigos próximos, personalidades da televisão e, mais recentemente, personalidades da Internet, que nada mais são do que jovens com os mesmos conflitos e dificuldades que todos os outros, mas que, na busca por sua afirmação de identidade, utilizaram a Internet para se comunicar com seus pares.

Toda a transformação física e emocional que caracteriza esse período da vida tem como como um resultado quase inevitável o surgimento de diferentes alterações inestéticas, entre elas: celulite, gordura localizada, estrias e acne, sendo a primeira observada essencialmente em meninas e as três últimas observadas em meninas e meninos.

A adolescência é considerada como um período crítico da vida, em que existem muitas preocupações e uma delas é sobre a aparência física. Por se tratar de uma fase cheia de novas sensações, descobertas e muitas mudanças corporais e comportamentais, é fundamental que o adolescente compreenda a situação que ele está passando para poder se sentir bem. Este período está ligado à construção da autoestima, do amor próprio e da autoaceitação. A presença das alterações inestéticas pode influenciar negativamente na construção da autoimagem, isso pode estar ligado a situações de isolamento dos adolescentes, casos de bullying, episódios de estresse, depressão ou ansiedade. Quanto maior for a dificuldade de autoaceitação, maior será a dificuldade de relacionamento e inserção em grupos. Dentre as alterações inestéticas, principalmente a acne e suas sequelas, podem perturbar a qualidade de vida durante a adolescência, desencadeando ou agravando problemas emocionais. Cada adolescente lida com a alteração inestética, sente insatisfação, vergonha ou inadequação de maneira diferente, pois cada ser humano processa e responde aos diferentes estímulos e situações de maneira única.

Visto que o público teen tem necessidades relacionadas à saúde estética, tem influência na decisão de compra dos pais e é um público preocupado com a aparência, percebemos o quanto é importante direcionarmos estudos e tratamentos para esse perfil de cliente, que tem muito potencial. Assim o profissional de saúde estética se abre para a estética teen, com a visão de um mercado promissor e rentável.

A adolescência é a etapa de transição entre a infância e a fase adulta, marcada por um complexo processo de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial. Segundo a Organização Mundial da Saúde a adolescência está limitada à segunda década da vida, dos 10 aos 19 anos, já a juventude se estende dos 15 aos 24 anos. Além disso, também é possível identificar adolescentes jovens (de 15 a 19 anos) e adultos jovens (de 20 a 24 anos). Segundo a lei brasileira, adolescentes estão na faixa etária de 12 a 18 anos.

O início da adolescência é determinado pelos primeiros indícios da maturação sexual, introduzidos pela puberdade, que é caracterizada principalmente pela aceleração e desaceleração do crescimento físico, mudança da composição corporal, eclosão hormonal, evolução da maturação sexual. Assim, a puberdade é um parâmetro universal que ocorre de forma semelhante em todos os indivíduos. Já a adolescência é um fenômeno singular caracterizado por influências socioculturais que vão se concretizando por meio de reformulações constantes de caráter social, sexual e de gênero, emocional e ideológico.

Portanto, é importante esclarecer que durante a adolescência ocorrem várias mudanças no desenvolvimento biológico, psicológico e social do indivíduo, sendo que o fenômeno relacionado às mudanças físicas, no qual o indivíduo se torna apto a se reproduzir sexualmente é denominado puberdade, e o fenômeno psicológico, que envolve aspectos emocionais e sociais, é denominado adolescência.

  • Biologicamente, começa com a aceleração do crescimento esquelético e início do desenvolvimento sexual;
  • Psicologicamente, se inicia com a intensificação do crescimento cognitivo e formação da personalidade;
  • Socialmente, é caracterizada como um período no qual o indivíduo se prepara para seu futuro papel de adulto jovem

Aspectos Metabólicos

O termo puberdade vem do latim pubescere, que significa “presença de pelos”. Entretanto, esta fase não deve ser vista apenas como o momento de transformações físicas, como o surgimento de pelos ou o início da menstruação. É um período que abrange um conjunto de modificações corporais bem amplo, envolvendo aceleração no crescimento estatural, desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, intensificação da ação hormonal, amadurecimento gonadal e aquisição da capacidade reprodutiva. Todo esse processo envolve ainda a adolescência, do latim adolescer, que significa crescer, momento no qual, além das alterações físicas, são observadas mudanças psicossociais e comportamentais. A puberdade não é, portanto, sinônimo de adolescência, mas uma parte dela.

O início da puberdade dificilmente pode ser definido com clareza, pois as alterações sutis de secreções endócrinas precedem as mudanças físicas (puberais). Sabe-se que esse momento normalmente se inicia após a reativação de neurônios hipotalâmicos, que secretam, de uma maneira pulsátil bastante específica, o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). A secreção desse hormônio resulta na consequente liberação também pulsátil dos hormônios luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH) pela glândula hipófise. Isso ocorre inicialmente durante o sono e, mais tarde, estabelece-se em ciclo circadiano.

O crescimento e o desenvolvimento do ser humano são eventos geneticamente programados, da concepção ao amadurecimento completo. Entretanto, fatores genéticos (constitucionais ou intrínsecos), e epigenéticos, como características climáticas, socioeconômicas, hormonais, psicossociais e, sobretudo, nutricionais, são alguns dos interferentes do processo de crescimento e desenvolvimento e podem induzir modificações nesse processo.

É impressionante a influência epigenética sobre a puberdade, alguns estudos já demonstraram que o desenvolvimento dos caracteres sexuais é mais tardio nas classes de menor nível socioeconômico. A interferência epigenética é claramente observada, por exemplo, quando se estuda a menarca (primeira menstruação da menina). As meninas de status socioeconômico mais elevado apresentam a primeira menstruação mais precocemente do que aquelas menos favorecidas, mesmo residentes no mesmo país, provavelmente devido às melhores condições nutricionais e estímulos emocionais das adolescentes com melhor condição socioeconômica.

A idade cronológica não é o melhor indicador para a avaliação de adolescentes, pois é bastante comum que adolescentes de diferentes grupos etários se encontrem no mesmo estágio de desenvolvimento. Por isso é necessária a utilização de critérios de maturidade fisiológica para o acompanhamento do desenvolvimento puberal. Assim, considera-se que a puberdade é caracterizada, fundamentalmente, pelos seguintes eventos:

  • Crescimento esquelético linear;

  • Alteração da forma e composição corporal;

  • Desenvolvimento dos órgãos e sistemas;

  • Desenvolvimento das gônadas e dos caracteres sexuais secundários.

Correlação entre maturação sexual e estirão do crescimento

As diferentes fases do estirão de crescimento se relacionam de maneira peculiar com outros fenômenos da puberdade, como a maturação sexual, de maneira que o estadiamento puberal permite a estimativa do momento de crescimento esquelético do adolescente. No sexo feminino, o início da puberdade coincide com o início do estirão puberal em sua fase de aceleração e desacelerando no momento em que geralmente ocorre a menarca. No sexo masculino, o início da puberdade ocorre ainda em um momento de velocidade de crescimento estável ou pré-puberal. Essa diferença na característica do estirão puberal entre o sexo masculino e o feminino, justifica, em parte, a estatura final do homem ser maior que a da mulher, uma vez que eles permanecem mais tempo na fase de crescimento pré-puberal. Outro aspecto que justifica a diferença de estatura entre os sexos é a magnitude da velocidade de crescimento, ocorrendo um pico de 10 a 12 cm/ano no sexo masculino, comparado aos 8 a 10 cm/ano no sexo feminino.

A menarca é um evento tardio no desenvolvimento puberal. Tendo importante papel na avaliação do crescimento e desenvolvimento infantopuberal, a observação das características sexuais secundárias e a idade da menarca são recomendadas no acompanhamento periódico do crescimento da criança. Sendo assim, além de seu contexto biológico, social e psíquico, a menarca tem relevante importância como marco do crescimento e desenvolvimento humano, e é o indicador de maturidade sexual mais usado. A variabilidade da data da primeira menstruação envolve características genéticas e epigenéticas, com interações complexas. A menarca ocorre cerca de dois anos após o início da puberdade e o crescimento é limitado em média a 4-6 cm nos dois-três anos pós-menarca. A idade média de ocorrência da menarca é de 12 anos. Os ciclos iniciais da adolescente podem apresentar certa irregularidade nos primeiros dois a quatro anos.

A idade média do início do aumento testicular é de 10 anos. Nota-se que esse aumento precede o aumento peniano, motivo clássico de preocupação comum entre os meninos. A ejaculação também é um evento tardio no desenvolvimento puberal masculino e pode se manifestar inicialmente com emissões noturnas involuntárias. O crescimento dos pelos axilares e faciais se segue ao dos pelos pubianos. A mudança vocal, decorrente do aumento da laringe por ação androgênica, ocorre tardiamente no processo puberal masculino.

Fatores Não-Hormonais que Influenciam a Puberdade

Quando as condições socioeconômicas e nutricionais são boas, os fatores hereditários parecem ser os mais importantes e os que poderiam ter influência marcante no desencadear do processo puberal. Não haveria, porém, mudanças na sequência dos eventos, que geralmente permanecem inalterados. Adolescentes com mães ou irmãs que maturaram mais cedo tendem também a fazê-lo. Como regra, as filhas tendem a ter sua menarca na mesma idade de suas mães. Está comprovado como são próximas as idades da menarca de gêmeas idênticas, quando comparadas à população em geral.

No período da puberdade, além das transformações fisiológicas, o indivíduo sofre importantes mudanças psicossociais, o que contribui para a vulnerabilidade característica desse grupo populacional. Os adolescentes podem ser considerados um grupo de risco nutricional, devido à inadequação de sua dieta decorrente do aumento das necessidades energéticas e de nutrientes para atender à demanda do crescimento. Por isso a importância da consolidação de hábitos alimentares e de estilo de vida saudáveis na adolescência. Segundo os autores, é nessa fase que esses hábitos são estabelecidos e muitas vezes mantidos na vida adulta.

Fatores nutricionais são fundamentais, tendo sido comprovado que a nutrição na infância leva ao retardo no crescimento estatural e ao atraso puberal, com supressão da função gonadal pela diminuição das gonadotrofinas. Adolescentes com baixo nível nutricional têm a menarca mais tardiamente, quando comparadas às adolescentes com nível nutricional adequado. Fatores climáticos também teriam pouca repercussão, ao contrário do que muitas vezes se pensa.

Está comprovado que treinamentos físicos rigorosos para determinados esportes, como ginástica olímpica, corrida, natação e balé, podem levar a atraso puberal e disfunção menstrual. Alguns estudos avaliam que cada ano de treinamento rigoroso corresponde a cinco meses de atraso na menarca.

Períodos em que adolescentes passam por forte estresse emocional ou doenças sistêmicas importantes (diabetes, insuficiência renal) podem ocasionar adiantamentos ou atrasos no processo puberal.

Aspectos Emocionais

A adolescência tem início com as mudanças corporais da puberdade e termina com a inserção social, profissional e econômica do indivíduo na sociedade adulta. As mudanças biológicas da puberdade são universais e facilmente observadas, pois modificam as crianças, lhes dando altura, forma e sexualidade de adultos. A adolescência é marcada por alterações cognitivas, sociais e de perspectiva sobre a vida, é uma época de grandes transformações, as quais repercutem não só no indivíduo, mas em sua família e comunidade. Trata-se de um grande salto para a vida: o salto em direção a si mesmo, como ser individual.

Existem várias adolescências, de acordo com as características de cada pessoa e de seu contexto social e histórico. Ao mesmo tempo em que é proposta a universalidade do estágio da adolescência, observa-se que ela depende de uma inserção histórica e cultural, que determina, portanto, variadas formas de viver a adolescência, de acordo com o gênero, o grupo social e a geração. A escola, apesar de ser obrigatória para todos os adolescentes, proporciona recursos pessoais e sociais (hábitos de saúde, interações sociais, descoberta de oportunidades, por exemplo) que são aproveitados de maneira distinta pelos alunos o que também influencia na maneira individual de viver a adolescência. Os adolescentes apresentam diversidade de grupos, atitudes, comportamentos, gostos, valores e filosofia de vida. “Há diversos mundos e diversas formas de ser adolescente”. As experiências vividas ao longo de sua vida marcam o indivíduo como ser único, apesar de compartilhar algumas características com outros jovens. A sociedade contemporânea ocidental não apenas estendeu o período da adolescência, como também os elementos constitutivos da experiência juvenil e seus conteúdos. Adolescência, hoje, não é mais encarada apenas como uma preparação para a vida adulta, mas passou a adquirir sentido em si mesma.

O período da adolescência exige sucessivas reconstruções e reformulações da imagem do próprio corpo, no qual o conceito de imagem corporal é uma representação condensada das experiências passadas e presentes, reais ou fantasiadas, conscientes ou inconscientes, é na verdade, a ideia que o indivíduo tem de si próprio. Assim, a necessidade de adequação física, sexual e social é dinâmica e pressiona o jovem a buscar a aceitação por seus grupos de iguais. Se não forem aceitos, podem surgir tensões, sentimentos de ansiedade, inferioridade, baixa autoestima e retraição. O corpo, nesse momento, assume um importante papel na aceitação ou rejeição por parte da turma.

A Preocupação com a Aparência e o Padrão de Beleza Midiático

O modelo de corpo ideal, tanto feminino quanto masculino, sempre esteve presente em todas as sociedades, antigamente o padrão de beleza era difundido por meio da arte, hoje isso ocorre através de meios de comunicação, principalmente as redes sociais. Há uma normatização da beleza e são estabelecidos os limites do normal, do aceitável e do estético, em que a mídia veicula um modelo de beleza (jovem, magro, branco, com a pele e os cabelos impecáveis) que é possível apenas para pequena parcela da população mundial.

É fácil perceber que a busca por um modelo ideal de beleza, que nunca foi tão estimulada e valorizada, tem deixado um imenso grupo de adolescentes, jovens e adultos insatisfeitos e deprimidos, desconfortáveis com o próprio corpo e com a autoestima em baixa. Dentre esses, os adolescentes são os mais atingidos, pois estão numa fase de construção da identidade e para tal buscam os modelos disponíveis, que majoritariamente são inatingíveis. Um dos maiores problemas é a associação direta ou indireta da aparência física do indivíduo com a sua felicidade e sucesso, gerando a ilusão de que, ao se conquistar determinada aparência o resultado imediato será bem-estar, felicidade e autorrealização.

O ideal de magreza pode influenciar o comportamento das adolescentes de fazer dietas que prometem rápida perda de peso e sem sofrimento. Porém, essas dietas podem comprometer a saúde, envolvendo aspectos físicos e psíquicos. Como o organismo ainda está em desenvolvimento, os efeitos de uma dieta inadequada podem ser graves.

É interessante como as preocupações dos adolescentes referentes à aparência física são diferentes entre os gêneros. A puberdade mostra que há diferença entre os sexos quanto ao valor atribuído ao peso e à altura. Os meninos tendem a se preocupar mais com a estatura, enquanto as meninas mostram-se preocupadas e intolerantes com relação ao peso. Infelizmente numa idade em que a dificuldade maior é descobrir quem somos, a preocupação fica restringida a que corpo ter, como parecer.

Os adolescentes, especialmente bombardeados pelo seu grupo social e pelos veículos de mídia e redes sociais deixam de buscar sua identidade para buscar identificação. É um grupo social com uma dificuldade maior em assimilar a sua imagem corporal, pois neste período da vida ocorrem grandes modificações psicológicas e físicas. Num momento em que o adolescente busca localizar-se no mundo e identificar-se com seu corpo, a imposição de um padrão pode provocar enorme instabilidade. Essa influência externa é tanto relacionada com amigos próximos, personalidades da televisão e mais recentemente personalidades da Internet, que nada mais são do que jovens com os mesmos conflitos e dificuldades que todos os outros, mas que, na busca por sua afirmação de identidade, utilizaram a Internet para se comunicar com seus pares, nesse contexto, muitos jovens influentes da Internet transformam o que era um passatempo em profissão. Entender que existe uma forte influência da mídia no desenvolvimento da autoestima dos adolescentes é fundamental, pois as novas gerações estão ininterruptamente conectadas com o mundo através da Internet, toda essa informação disponível pode ser excelente ou pode ser muito negativa.

Uma pesquisa da agência publicitária DMB, de 1996, apontou que um dos maiores medos da adolescente é ficar gorda (39%); sendo o medo de engordar igual ao de engravidar. Pesquisa realizada pela divisão de psicologia do Hospital das Clínicas (HC) em 1999, com 340 homens e mulheres passantes do HC, encontrou que 55% dos homens gordinhos se achavam dentro do peso, já 33,6% das mulheres de peso saudável disseram se sentir gordas e 60% relataram algum sentimento negativo, de culpa, sensação de fracasso e frustração cada vez que desistiam de uma dieta. Quando a mulher adolescente ou não modifica seu corpo, utilizando-se dos diferentes meios à disposição nos dias de hoje, deixa de ser o que é para ser o que se espera dela, perdendo assim a sua referência.

A Preocupação do Adolescente com a Inteligência

Durante a puberdade, há um aumento das habilidades de compreensão e discernimento do indivíduo, sendo que o evento cognitivo mais importante que ocorre na adolescência é o desenvolvimento da capacidade para o pensamento lógico abstrato. Ele alcança seu pico na adolescência tardia, quando o indivíduo adquire a capacidade para fazer deduções, isto caracteriza essa fase como um momento de questionamentos e testes, pois o pensamento não se limita mais ao ambiente concreto e imediato, mas envolve-se com um mundo mais amplo. Há uma preocupação com o pensar, inventar hipóteses e o experimentar. O adolescente desenvolve uma atitude teórica e crítica e toda a sua curiosidade sobre os problemas existenciais e sexuais é acompanhada por um desejo de buscar respostas satisfatórias recorrendo a livros ou pesquisa eletrônica, isto acontece porque o adolescente prefere formular suas próprias respostas do que confiar nas respostas dos pais e professores.

Observa-se que a inteligência, assim como a beleza, é considerada como um atrativo importante pois, a pessoa que a possui é vista como mais capacitada e habilitada para lidar com diferentes situações, portanto, pode obter maior êxito profissional, sucesso e, consequentemente, felicidade. A inteligência caracteriza-se assim, como atrativo psicológico na seleção de parceiros.

Os Medos Característicos da Adolescência

O medo é uma emoção primária, presente desde o nascimento, e muito comum na infância e adolescência. Na maioria das vezes, o medo é uma reação adaptativa, servindo a um propósito legítimo e útil: proteger os indivíduos de situações potencialmente perigosas, liberando um fluxo de energia que pode ser empregado em qualquer ação que se faça necessária, buscando estratégias para enfrentar o perigo. O ser vivo está biologicamente preparado para aprender alguns medos mais depressa que outros. Estímulos que põem em risco a vida – cobra, aranha, precipício, por exemplo – são adquiridos com mais facilidade que outros – como carro, elevador, eletricidade.

A emoção medo pode ser observada por meio das respostas motoras (posturas, gestos) e das respostas neurovegetativas (taquicardia, suor). Como manifestações do medo perceptíveis pelas outras pessoas, têm-se o retraimento social, apatia, tristeza ou, mesmo, dificuldade para concentrar-se no trabalho ou em brincadeiras.

Muitos medos são considerados próprios do desenvolvimento, exigindo do indivíduo que se adapte aos diversos estímulos estressantes do ciclo vital. É de se esperar que a adolescência seja repleta de medos em relação a situações novas que os adolescentes têm que enfrentar, como as mudanças no corpo ou a autonomia, especialmente em situações que exijam uma estrutura cognitiva ou emocional que o indivíduo ainda não desenvolveu. O lado emocional nessa fase está a flor da pele e por esse motivo muitas escolhas são feitas da maneira errada. Em alguns casos, é necessário que o adolescente tenha acompanhamentos psicológicos para passar por esse momento tão importante.

Os principais medos dos adolescentes relatados na literatura são:

  • Medo de lugares e pessoas estranhas;
  • Medo de ser trocado;
  • Medo de não ser aceito;
  • Medo da morte;
  • Medo do primeiro beijo;
  • Medo da primeira relação sexual;
  • Medo de ser assaltado;
  • Medo de não saber o que fazer quando crescer;
  • Medo de perder as pessoas que amam;
  • Medo de perder objetos que gostem;
  • Medo de engravidar ou de ser pai;
  • Medo de engordar, ter estrias ou não desenvolver porte atlético;
  • Medo de não ser feliz.

O Estresse na Adolescência

Os primeiros estudos sobre estresse tiveram seu início a partir da metade do século XIX, com Claude Bernard. Apesar de Walter Cannon já haver utilizado o termo estresse de maneira vaga em 1935, é creditada ao endocrinologista Hans Selye a divulgação do conceito entre a comunidade científica, pois, foi a partir de estudos iniciais com animais, nos quais Hans Selye observou que, independente da natureza do dano, as respostas do organismo eram semelhantes, representando um esforço de adaptação para enfrentar as alterações impostas. Selye chamou esta resposta de síndrome geral de adaptação e, posteriormente, de estresse.

Atualmente, considera-se o estresse uma resposta complexa do organismo, envolvendo reações físicas e psicológicas, que ocorre quando precisamos nos adaptar a situações e eventos que ameacem a estabilidade física e mental. Quando intenso ou prolongado, pode favorecer a manifestação de diversos sintomas e doenças através de mudanças fisiológicas, sendo não apenas uma reação imediata, mas também um processo desenvolvido ao longo do tempo, envolvendo fatores externos, como eventos ou mudanças no ambiente, e fatores internos, como temperamento, visão de mundo e crenças.

Existem duas teorias sobre o desenvolvimento do estresse, uma o divide em três fases e outra o divide em quatro fases, tornando mais simples sua observação e entendimento. O estresse é comumente dividido didaticamente em três fases de desenvolvimento.

A fase de alarme é considerada a resposta inicial diante de qualquer estímulo que desequilibre a regulação interna ocorrendo reações como aumento da frequência cardíaca, motivação e preparação do organismo para a ação, nesta fase o sistema nervoso autônomo (SNA) participa ativamente, desencadeando alterações fisiológicas, que podem ter inibição ou ativação de diversos sistemas, vísceras e glândulas. O hipotálamo promove a liberação do hormônio que estimula a hipófise a produzir o hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH), que caminha para a corrente sanguínea e, consequentemente, estimula a suprarrenal para liberar os corticoides. Além disso o hipotálamo também secreta neuro-hormônios como: dopamina e norepinefrina e os corticoides que são esteroides e com o aumento de seu nível, há influência no sistema imunológico, inibindo a resposta inflamatória, afetando essencialmente as células T.

Caso o estímulo permaneça, passa-se para a fase de resistência, com a motivação inicial sendo substituída pelo desgaste decorrente da tentativa contínua de adaptação e da regulação homeostática. Esta fase se caracteriza pela hiperatividade hipotalâmica e hipofisária sobre as suprarrenais. Trata-se de um período crônico, o qual proporciona um aumento de volume das suprarrenais, atrofia do baço e estruturas linfáticas e um continuado aumento de glóbulos brancos no sangue (leucócitos). Dessa maneira a ativação da hipófise no estresse e em seguida do sistema endócrino é no sentido de proteção e energia para defesa do agressor. No estresse crônico pode haver diminuição das respostas, podendo até ter uma antecipação das mesmas, ou seja, é como se você estivesse se acostumando aos estressores, porém, pudesse desenvolver a reação de estresse apenas diante da perspectiva ou expectativa do estímulo.

A última fase é chamada de exaustão, demonstrando o fim da capacidade de adaptação do organismo à permanência do estímulo estressante, com a ocorrência de doenças de maior gravidade e até mesmo fatais, como problemas cardiovasculares e renais. A maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos aparecem nesse período. Há uma falha nos sistemas de adaptação e déficit energético. O ser humano tem que se adaptar aos problemas da infância, às perdas e aos abandonos sofridos, às agressões, ao medo e frustrações. Tem que se adaptar às expectativas que seu grupo social lhe dirige, a identidade conveniente, mas nem sempre sincera, à competição, à manutenção de seu espaço social, às angústias do amor, à conquista da segurança para seus entes queridos. Enfim, adaptar-se às ameaças impalpáveis e abstratas, ameaças essas encontradas mais em seu mundo interior, como um inimigo sempre presente, do que fora dele. Todos esses estímulos estressores são capazes de convocar o estresse por tempo indeterminado. A partir daí conclui-se que a doença é o custo mental ou biológico do esforço adaptativo às reações ao estresse.

Já Lipp propôs um modelo quadrifásico, com a divisão da fase de resistência original em duas: resistência (mesma nomenclatura de Selye) e a inclusão da fase de quase exaustão. Essa nova fase se caracteriza pela dificuldade na adaptação ao estressor, com a resistência do organismo se esgotando, facilitando o aparecimento de doenças, porém, não são tão graves: ao contrário da fase de exaustão, na qual há um comprometimento generalizado.

O estresse pode gerar reações negativas (distresse) ou positivas (euestresse) em nosso organismo. O termo estresse é usado para reações negativas. O estresse envolve a relação do indivíduo com o meio. Nosso organismo procura sempre adaptar-se a agressão que sofre e deste processo de adaptação é que surgem os problemas de saúde, que podem ser transitórios ou crônicos, leves ou graves.

Na infância e na adolescência, o estresse assemelha-se ao do adulto, podendo gerar consequências físicas e psicológicas quando excessivo, sendo ansiedade, angústia, depressão, dores abdominais e tensão muscular alguns dos sintomas mais comuns.

Durante o seu desenvolvimento, a criança e o adolescente irão se deparar com diversas situações de tensão e mudança, frente às quais ainda não têm amadurecimento suficiente para solucioná-las ou enfrentá-las. Exemplos desses tipos de problemas são os traumas ou acidentes, mudança de escola, rejeição por parte dos colegas, separação dos pais, mudanças corporais e hormonais e doenças crônicas, bem como situações recorrentes do dia a dia: relações familiares, precariedade econômica, exigências excessivas dos pais e professores, além de fatores relacionados à personalidade, como timidez, insegurança e ansiedade. Muitas crianças e adolescentes que apresentam problemas físicos, psicológicos e comportamentais estão, na verdade, sofrendo de estresse. O estresse raramente é tratado em sua origem, recebendo atenção médica apenas através da manifestação dos sintomas isoladamente. Existem também dificuldades no diagnóstico do estresse, pois seus sintomas podem aparecer em diversas outras doenças e, especialmente, as crianças mais jovens raramente conseguem descrever aquilo que pode gerar a resposta de estresse.

A Influência do Estresse sobre as Alterações Inestéticas

Durante o período de embriogênese existe a derivação dos folhetos embrionários ectoderma, mesoderma e endoderma, a pele deriva do ectoderma e do mesoderma. O ectoderma dá origem à epiderme, folículos pilosos, glândulas apócrinas, écrinas, unhas e ao sistema nervoso. Portanto, desde o início, a pele tem ligação direta com o sistema nervoso, enviando-lhe constantemente informações sobre o meio externo. O mesoderma dá origem às fibras colágenas, elásticas, vasos sanguíneos, músculos e tecido adiposo.

Do cérebro e da medula espinhal partem nervos, que se ramificam e se dirigem a todos os pontos do organismo, incluindo a pele. Na pele, filetes nervosos chegam à derme aos vasos e à epiderme. Assim, as mensagens entre o sistema nervoso e a pele se dão por meio de neuropeptídeos, que levam o código dos pensamentos ocorridos na mente para a pele e em sentido inverso, a pele envia ao cérebro suas mensagens por meio de mediadores químicos produzidos por suas células, que viajam até o sistema nervoso central pelo sangue ou pelos nervos, lá gerando pensamentos. A comunicação entre mente, sistema nervoso e pele é constante e imediata, provocando alterações muito sutis, na maioria das vezes invisíveis e não percebidas pelas pessoas, como as alterações na produção do suor.

Além de demonstrar o estado exterior e interior de nossos órgãos, a pele mostra também nossos processos e reações psíquicas em geral. Por exemplo: o rubor seria encontrado, habitualmente, em pessoas que, temendo mostrar seus sentimentos, os exprimem de forma involuntária, ficando enrubescidas. Estudos científicos comprovam a influência que as emoções exercem sobre a pele. Assim como o estresse, a ansiedade e o humor deprimido, por exemplo, colaboram para o desenvolvimento ou agravamento de problemas dermatológicos e o envelhecimento da pele, condições psicológicas (emocionais, cognitivas e comportamentais) saudáveis auxiliam na manutenção de uma pele bonita e saudável e no combate a problemas dermatológicos.

Por outro lado, é comum que problemas dermatológicos afetem nossas condições psicológicas. Algumas alterações de pele nos adolescentes, como acne, estrias, celulite e gordura localizada estão relacionados ao desenvolvimento de problemas de autoestima, elevação do nível de estresse e do humor deprimido, e outros problemas relacionados à qualidade de vida. Esses problemas de ordem psicológica gerados pelos problemas estéticos dificultam ainda mais o tratamento destes últimos.

A relação entre acne e estresse foi descoberta em um estudo de 2002, onde foi verificado que as glândulas sebáceas da pele, componentes do folículo pilossebáceo, que é a unidade anatômica onde se desenvolve a acne, possuem receptores para neuropeptídeos e são acionadas por uma via equivalente à do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal. O hormônio de liberação da corticotropina, um mediador segregado pelo hipotálamo e acionado especialmente em situações de estresse, é biologicamente ativo nas células sebáceas e induz um aumento na síntese dos lipídios sebáceos. Esta é uma etapa preliminar na formação da lesão básica da acne, o comedão. E apesar de a acne ser um quadro clínico de aparecimento comum e regular na adolescência, desencadeado pela presença do hormônio sexual masculino, a influência do emocional é observada em certas condições e efetivamente modifica o aspecto da pele, mostrando que acne e estresse estão bastante relacionados.

Além disso, há diminuição da resistência imune do organismo, uma vez que o cortisol tem ação imunossupressora, fazendo com que as doenças se manifestem mais claramente em organismos nos quais esse hormônio está em quantidades elevadas. O cortisol também gera a quebra de proteínas musculares para que a gliconeogênese ocorra com mais eficiência e a consequência lógica da quebra de proteínas musculares é a diminuição da massa muscular.

Embora a lipólise esteja estimulada, o organismo interpreta a situação de estresse como uma situação de necessidade de armazenamento de energia, e, portanto, qualquer oportunidade que apareça na qual seja possível armazenar gordura será aproveitada. Como nós costumamos continuar nos alimentando regularmente durante os períodos de estresse, a grande diferença é que o organismo dará grande prioridade ao armazenamento do alimento em forma de gordura por causa da ação do hormônio. Assim sendo, embora o cortisol estimule a lipólise, ele também estimulará, após a alimentação, o armazenamento de gordura.

Portanto, o estresse, assim como o estado emocional, influencia diretamente as alterações inestéticas como HLDG, Lipodistrofia Localizada, Estrias e Acne, sendo agentes desencadeantes ou perpetuadores dessas alterações.

Referências

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