IONTOFORESE NA ESTÉTICA

A modernidade e os avanços tecnológicos da atualidade fazem com que os profissionais de estética busquem cada vez mais formas de acelerar a obtenção de resultados para seus tratamentos. Isto ainda além da própria exigência dos clientes que cada vez mais informados querem o melhor!

Se a análise permitir podemos dizer que tratamentos estéticos sem equipamentos de correntes elétricas até podem existir, porém sem cosméticos fica praticamente impossível. Para conseguir resultados mais rápidos o correto SIM é associar o maior número de técnicas para isto.

A iontoforese é uma das técnicas mais antiga que vem sendo estudada, onde que o primeiro a fazê-lo foi Leduc em 1907, até os dias de hoje muitas pesquisas são realizadas para elucidar cada vez mais seus mecanismos de ação. Sendo o seu objetivo, facilitar a transferência através da pele integra de substâncias para um determinado fim terapêutico.¹̕⁴. A grande vantagem desta forma de aplicações é que a seleção local facilita a ação, sendo que a grande maioria dos artigos publicados nos diz ser verdade a vantagem de penetração se comparada à aplicação tópica simples.

Uma vez que o estrato córneo é a principal barreira para a penetração de substância através da pele certamente há necessidade de utilizarmos meios que possam romper esta barreira aumentando assim a chegada dos ativos nos tecidos mais profundos. Os tratamentos estéticos podem ser potencializados com a utilização desta técnica, hoje existe no mercado um número muito grande de cosméticos destinados a este fim. O que em determinadas situações pode causar certa incerteza na total eficácia, pois há grande desencontro de informações sobre a ação da corrente nestas substâncias. A corrente utilizada para a iontoforese é a corrente Galvânica, uma corrente continua constante e unidirecional por definição, que facilmente podemos encontrar, pois todas as empresas possuem um exemplar.

 

Segundo (Barry BW. Drug delivery routes in skin: a novel approach. Adv Drug Deliv Rev 2002; 54: S31-S40.) as vias de penetração das substâncias através da pele por aplicação tópica simples são: transanexial , pelos folículos piloso e glândulas sudoríparas; e intercelular entre as células do tecido. Já pela transferência através da Iontoforese os principais são os ductos das glândulas sudoríparas (poros), pois os óstios das glândulas sebáceas e até o estrato córneo por sua composição tem elevada impedância elétrica relativa¹.

A iontoforese baseia-se em três grandes efeitos fisiológicos que a corrente galvânica pode causar :

  • Aumento da permeabilidade do estrato córneo
  • Eletroosmose
  • Eletrorrepulsão

Portanto devemos compreender que a visão de iontoforese é mais ampla, do que a apenas nos focarmos em uma “possível” polaridade dos ativos contidos na formulação. Vamos analisar melhor cada um destes mecanismos:

Aumento da permeabilidade do estrato córneo: a pele é caracterizada por impedância consideravelmente alta principalmente pelo estrato córneo¹̕².

Durante a aplicação da corrente galvânica na iontoforese, a concentração de íons presentes no estrato córneo pode aumentar consideravelmente e desta forma por conseqüência a resistência da pele diminui, o que certamente facilitara a penetração de substâncias durante a passagem do campo elétrico. Após a aplicação da corrente elétrica, a concentração irá retomar gradativamente os níveis fisiológicos normais.A retomada da resistência tecidual não tem relação com a natureza iônica da substância transferida e não há fundamentação que a voltagem total da corrente aplicada, a duração da aplicação, juntamente com redução mesmo que temporária da resistência, possam interferir no efeito de barreira que é a principal função da pele ¹⁷.

Para facilitar a penetração dos ativos cosméticos pode ser realizada uma esfoliação, mecânica ou química para que o afinamento da epiderme compactue com a facilitação da entrada das substâncias pela pele.

Eletroosmose: é determinada pelo fluxo de líquido que ocorre durante a iontoforese, o que certamente auxilia na penetração de substâncias neutras (sem carga) e de alta massa molecular, além de íons. Quando utilizamos uma corrente elétrica tipo contínua pode-se verificar um fluxo de água do ânodo (eletrodo +) para o cátodo (eletrodo -), que é conhecido como fluxo eletroosmótico. E esta ação permite causar um movimento transdermal de solutos ionizáveis e não carregados eletricamente que estão dissolvidos na solução doadora⁵.

Estudos realizados do fluxo de água (3H2 O) e o manitol (C6H14O6) marcados, transferidos por iontoforese (10 horas, 0,36 mA/cm2), usando como modelo pele de rato e verificou que 50% do valor referente à transferência desse soluto não ionizável devia-se à participação do fluxo de água, confirmando o fenômeno da eletroosmose ¹⁰.

Ainda verificou-se a transferência por iontoforese em pele humana excisada com salicilato (ânion), feniletilamina (cátion), manitol (neutro de baixo peso molecular) insulina (componente neutro de alto peso molecular). Houve comprovação que tanto ânions quanto cátions e substâncias neutras de baixo ou alto peso molecular são transferidas por iontoforese com maior efetividade se comparadas às quantidades transferidas por difusão passiva não influenciada pela passagem da corrente elétrica¹⁶.

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) estão utilizando um novo método para facilitar a entrada de medicamentos pela pele, em especial de remédios usados na quimioterapia contra o câncer de pele.

Dra. Renata Fonseca Vianna Lopez, Coordenadora da pesquisa qual foi encapsulada a droga quimioterápica doxorrubicina em pequenas partículas de gordura (nanopartículas – lipossomas) e, em seguida, testaram a iontoforese em laboratório, com resultados positivos.

Analisando as informações científicas podemos concluir que não há necessidade de determinação da polaridade do íon para se realizar a iontoforese, pois o fenômeno de eletroosmose consegue aumentar a penetração até cerca de 50% ¹⁹.

Eletrorrepulsão: Pelo mecanismo da eletrorrepulsão,9 tanto drogas devalência positiva quanto negativa serão liberadas, desde que sejam colocadas sob o eletrodo que apresente a mesma carga elétrica. Assim, drogas de valência positiva deverão ser exclusivamente colocadas sob o pólo positivo, enquanto as de valência negativa, somente no pólo negativo¹̕².

Fonte: Ensaio randomizado, duplo-cego e controlado de anestesia tópica induzida por iontoforese de lidocaína.

Diferente da reabilitação que trata apenas pontos específicos com alterações que podem ser reabilitadas apenas com uma substância ativa, a realidade do mercado de prestação de serviços na estética hoje é de clientes extremamente exigentes em qualidade, e ainda em busca de resultados rápidos, o que nos exige elaborar protocolos de tratamento com menor número de sessões e que as mesmas consumam o menor tempo possível.  Formulações cosméticas que consigam sinergicamente unir ativos que tratem as chamadas síndromes de desarmonia estética são necessárias.

REFERÊNCIAS

  1. Barry BW. Drug delivery routes in skin: a novel approach. Adv Drug Deliv Rev 2002; 54: S31-S40.
  2. Barry BW. Drug delivery routes in skin: a novel approach. AdvDrug Deliv Rev 2002; 54: S31-S40. 36. Pikal MJ. The role of electroosmotic flow in transderemal iontophoresis. Adv Drug Deliv Rev 1992; 9: 201-237
  3. Barry BW. Novel mechanisms and devices to enable successful transdermal drug delivery. Eur J Pharm Sci 2001; 14: 101-114.
  4. Costello CT, Jeske AH. Iontophoresis: applications intransdermal medication delivery. Phys Ther 1995; 75: 554-563.
  5. Green PG. Iontophoretic delivery of peptide drugs. J Control Release. 1996; 41: 33-38.
  6. Guirro, E. C. O. & Guirro, R. R. J. – FISIOTERAPIA DERMATO FUNCIONAL – FUNDAMENTOS, RECURSOS E PATOLOGIAS – Ed. Manole – 3ª Ed. Revisada e ampliada – 2002.
  7. Guirro, E.C.O.; Ferreira, A. L; Guirro, R.R.J. Estudos preliminares dos efeitos da corrente galvânica de baixa intensidade no tratamento de estias atróficas da cútis humana. Anais do X Congresso Brasileiro de Fisioterapia, Fortaleza, CE, 1991.
  8. Guirro, Elaine C. O. – Guirro, R. R. J. – FISIOTERAPIA EM ESTÉTICA – FUNDAMENTOS, RECURSOS E PATOLOGIAS – Ed. Manole – 2ª Ed. – 1996
  9. GUYTON, A. C. – Fisiologia Humana – Ed. Guanabara – 1996.
  10. Kim A, Green PG, Rao G, Guy RH. Convective solvent flow across the skin during iontophoresis. Pharm Res 1993; 10: 1315-1320.
  11. Miedes, J.L.L.- ELECTROESTÉTICA – Ed. Videocinco – Madrid – 1999 – pp. 63-66
  12. Nolan LM, Corish J, Corrigan OI, Fitzpatrick D. Iontophoretic and chemical nhancement of drug delivery. Int J Pharm 2003;257(Pt1): 41-55
  13. SALGADO, A. S. I. – Eletrofisioterapia – Manual Clínico – Ed. Midiograf – Londrina – PR 1ª ed. 1999.
  14. Silva, Mariângela T. – ELETROLIFTING – Ed. Vida Estética – 1998 – pp. 31
  15. Silva, Marizilda, T. – ELETROTERAPIA EM ESTÉTICA CORPORAL – Ed. Robe – 1997 – pp. 5-8.
  16. Singh P, Anliker M, Smith GA, Zavortink D, Maibach HI. Transdermal iontophoresis and solute penetration across excised human skin. J Pharm Sci 1995; 84: 1342-1346.
  17. Ulreich A, Leibrecht W, Promer M, Kullich W. Infiltration versus iontophoresis in case of epicondylitis – A comparative study. Physikalische Medizin Rehabilitationsmedizin Kurortmedizin 1996; 6: 183-185.

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