SDC E SDF: ENTENDA ESTES CONCEITOS NA ESTÉTICA

SDC – Síndrome da Desarmonia Corporal

Síndrome da desarmonia corporal é um conceito definido pelo Prof. Miguel Francischelli Neto, em que as condições inestéticas são englobadas, proporcionando uma visão geral sobre as alterações corporais. A compreensão da associação entre as disfunções é fundamental para análise e direcionamento de um protocolo.

Lipodistrofia Localizada

Apesar de existirem muitos tipos celulares que contêm carboidratos e lipídios armazenados, o tecido adiposo é o principal reservatório energético do organismo. Trata-se de um tipo especializado de tecido conjuntivo, que atua como um grande reservatório de gordura sob a forma de triacilgliceróis. Existem dois tipos de tecidos adiposos, o tecido branco ou unilocular e o tecido marrom ou multilocular. O tecido branco é o mais importante para o profissional de saúde estética, pois é amplamente distribuído no subcutâneo variando de acordo com o sexo e a idade.

A Lipodistrofia Localizada é caracterizada pela hipertrofia adipocitária combinada a uma alteração da sua distribuição, onde o acúmulo regional está relacionado com o sexo, biotipo e hábitos do indivíduo.

LDG – Lipodistrofia Ginoide

Celulite é uma palavra de origem latina, celulite, que quer dizer inflamação do tecido celular, esse termo causa polêmica entre os profissionais e estudiosos, visto que alguns estudos evidenciam a ausência de inflamação, enquanto outros correlacionam a presença de citocinas pró-inflamatórias com processo de celulite. A celulite afeta o tecido adiposo em diversos graus, alterando também a derme e revestimento da epiderme. Histologicamente a lipodistrofia ginoide é uma infiltração edematosa, seguida de polimerização da substância fundamental, que se infiltra nas tramas, gerando uma reação fibrótica. Clinicamente é um espessamento da camada subepidérmica, frequentemente relacionada à dor e presença de nódulos ou placas. Dividida em quatro estágios e quatro tipos para fins didáticos e de avaliação, acomete principalmente o sexo feminino, pois possui uma forte relação com o estrogênio.

Ptose Tissular

A flacidez ou hipotonia no tecido ocorre devido à alteração das fibras elásticas e colágenas, responsáveis pela função estrutural do tecido conjuntivo e a diminuição da matriz extracelular. Essa deficiência ocorre por várias reações moleculares, uma das causas é o envelhecimento, em que, através de um processo que sofre total influência do meio e dos hábitos de vida do indivíduo, ocorre uma deficiência de substâncias regulatórias e protetoras no tecido, ocorre também alterações na qualidade das fibras estruturais do tecido assim como as mesmas têm a sua degradação acentuada. Assim sabemos que existem várias reações envolvidas na etiologia dessa alteração inestética, como glicação, estresse oxidativo, deficiência nutricional, deficiência imunológica, alteração na coesão celular, redução de água e da oxigenação, o que prejudica as reações endógenas. Além dos processos fisiológicos existem outras considerações de predisposição genética e a influência da epigenética que podem acentuar a característica inestética de flacidez tissular. Essas alterações não são exclusivas no envelhecimento, podem ocorrer em casos patológicos, em quadros de grande redução de peso em um curto período de tempo, na pós-gestação e na menopausa.

Estrias

Com frequência as estrias são descritas como cicatrizes, definição que não se aplica segundo o estudo histológico feito por Pieraggi, que compara as diferentes lesões dérmicas: estrias, lesão senil e cicatriz, evidenciando que a pele estriada apresenta modificações nas fibras colágenas, substância fundamental amorfa e nos fibroblastos. A aparição dos sintomas iniciais é variável, sendo que os primeiros sinais clínicos são caracterizados por prurido, erupção papular, leve hiperemia. As causas do surgimento das estrias são inúmeras: fatores endócrinos, predisposição genética, obesidade, crescimento, oscilação de peso.

SDF – Síndrome da Desarmonia Facial

Inúmeros autores conceituam o envelhecimento como um acontecimento biológico influenciado por fatores endógenos e exógenos, em que a etiologia de diferentes alterações inestéticas são bastante similares. A Síndrome da Desarmonia Facial conceitua os multifatoriais do envelhecimento cutâneo de forma global, e entendendo as causas dessa condição se consegue buscar a terapia necessária para cada paciente, em que o foco é a realização de uma avaliação assertiva que promova um tratamento amplo, envolvendo todos os aspectos do indivíduo. O conceito convencional intrínseco e extrínseco, é um conceito ultrapassado, sendo a opção mais atual o conceito genético e epigenético, com o qual se compreende que os processos fisiológicos do envelhecimento podem ser modulados positivamente ou negativamente.

Envelhecimento

O processo de degeneração do tecido é influenciado pelas características genéticas e epigenéticas de cada indivíduo, sendo caracterizado por mudanças moleculares que geram alterações nas funções teciduais o que acarreta o desenvolvimento das alterações inestéticas, como as linhas de expressão, a flacidez tissular e a flacidez muscular. A vascularização se torna deficiente e existe um retesamento da junção dermoepidérmica o que dificulta ainda mais a oxigenação e nutrição do tecido. Os coxins adiposos da face sofrem redução assim como o sistema muscular perde sua característica de tônus. Somando todos esses acontecimentos a redução da imunidade tecidual e a perda de barreira cutânea, juntamente com a perda de água transepidermal temos um quadro completo de uma pele envelhecida.

Hipercromias

A discromia que mais tem procura por tratamento é a hipercromia, que consiste em uma produção excessiva de melanina, conferindo à região afetada, normalmente uma superfície limitada, uma coloração mais escura que o restante da pele. Esta coloração pode ser resultado de fatores externos, como a exposição solar excessiva, traumas na superfície cutânea ou mesmo a utilização de certos medicamentos, tais como os contraceptivos orais. Em relação aos fatores internos, estes podem ser de natureza genética, distúrbios endócrinos ou mesmo características raciais.

Os tratamentos mais comuns são voltados para a aceleração do turnover celular e utilização de despigmentantes. Neste processo de tratamento é essencial a adesão do paciente, mantendo uma conduta de manutenção dos cuidados com a pele e o uso regular de fotoprotetor.

Sequelas de acne

As lesões inflamatórias da acne maturam através das fases da cicatrização, desde a inflamação inicial e formação de tecido de granulação até a subsequente fibroplasia, neovascularização, contratura da ferida e remodelação tecidual. As lesões se iniciam bem abaixo da epiderme, o que leva a uma cicatrização que envolve preferencialmente estruturas mais profundas. Com a maturação das cicatrizes, sua contração promove nas camadas superficiais uma aparência dentada. A atividade enzimática e mediadores da inflamação também provocam a destruição dessas estruturas profundas o que leva à perda de substância, contribuindo para a gravidade da atrofia cicatricial.

Segundo as suas características, as cicatrizes de acne são classificadas em elevadas, distróficas e deprimidas. As cicatrizes deprimidas são subdivididas em distensíveis e não distensíveis. Já as cicatrizes distensíveis podem ser retráteis ou não retráteis.

Olheiras

São marcas profundas e de cores mais arroxeadas que se formam ao redor dos olhos. A pele nessa região fica arroxeada quando o tecido está muito fino e transparente, permitindo que se vejam os vasos sanguíneos. Com esses vasos dilatados, ocorre uma espécie de inchaço local pela saída de glóbulos vermelhos do interior deles para a derme. Esses glóbulos sofrem uma transformação química, formando um depósito de pigmentos férricos que tornam a região mais escura. Outra possibilidade para o aparecimento de olheiras é a de alta concentração de melanina na região ao redor dos olhos. As olheiras podem aparecer como bolsas, coloração escura ou arroxeada, flacidez, rugas ou sulcos. Esses aspectos tornam o visual cansado e abatido.

Causas das Olheiras:

  • Hereditariedade

  • Dilatação dos vasos da área dos olhos, levando mais sangue à região e reforçando a pigmentação

  • Noites mal-dormidas

  • Cansaço físico

  • Falta de cuidados com a área dos olhos

  • Pele branquinha e fina

  • Estresse físico ou emocional

  • Fumo

  • Alergias e rinites

REFERÊNCIAS

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